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Notas Soltas VII

30/04/2010

Uma cá…

“Sexta-Feira 13” marcou no pretérito dia 24 de Abril a reentrada do nosso ‘Raízes’ nas nossas vidas num espectáculo marcado pela emoção do reencontro com uma imagem de marca única no nosso panorama cultural.

Num Teatro Circo a transbordar de contentamento, passaram pelo palco durante duas agradáveis horas trechos lindíssimos da nossa música tradicional, mesclados de muitas sonoridades e contando com a presença fraterna da ‘Pátria Galega’, eternos namorados deste Minho de encantos que o canto também sabe conversar.

Vila Verde veio à cidade vaidosa pelo que de si nela se espelhava nas vésperas de um Abril igualzinho como o que há trinta anos marcou a vida desta grande instituição vilaverdense. E se há trinta anos ainda se arranjou um cantinho em Vila Verde para acolher oito centenas de vilaverdenses que quiseram testemunhar o evento, muitos mais tiveram que rumar agora a Braga porque por cá ainda não conseguimos engenho e arte para construir um espaço onde os grandes eventos possam ter um palco condigno.

Foi pena, pá, como dirá o Chico Buarque quando souber desta persistente e lamentável realidade.

Valeu que a festa estava linda e no seu encantamento ninguém notou que estaria incomensuravelmente mais bonita se fosse Vila Verde o seu palco.

O Raízes nasceu há três décadas para cantar em Abril que ainda estava em festa. Na emoção do reencontro e porque foi outra vez em Abril, cravos vermelhos lhe lançamos de novo para que também connosco fiquem por muito tempo.

P.S.: paira na atmosfera política vilaverdense um cheiro a qualquer coisa de desagradável com a vida financeira da autarquia e da sua muito amada empresa municipal de eventos. Querem fazer o favor de nos contarem a verdade, toda a verdade e só a verdade sobre o que se passa?

…Outra lá

Esta semana meeira entre o 25 de Abril e o 1.º de Maio marcou o reencontro com dois momentos inolvidáveis da nossa história contemporânea que pudemos vivenciar na verdura dos vinte anos que, então, havíamos completado dias antes.

Foi um tempo de grande ilusão, de aproximação a valores que respeitavam à dignidade humana, de paz, de reencontro com as raízes mais profundas da nacionalidade e de quando as fronteiras eram o mar.

E Abril, na sua essência, cumpriu-se integralmente. Somos um país democrático e completamente livre de nele nos expressarmos ou fazermos expressar a nossa vontade.

Apesar de mesmo os mais pobre dos pobres terem hoje cinco ou seis vezes mais poder aquisitivo do que há trinta e seis anos, talvez ainda não tenhamos chegado a um Maio onde a celebração de pão para todos em abundância que sacie possa ser feita como cada um dos que o amarga no trabalho honrado de cada dia o merecia.

Convenhamos, contudo, que, aqui, Abril não tem nem um nico sequer da responsabilidade que por inteiro cabe aos que não o souberam tomar no esplendor da sua mensagem e, por isso, o têm consumido na fogueira onde vai lentamente ardendo.

Mesmo assim, Portugal é hoje incomensuravelmente melhor do que o era quando a ditadura soçobrou. Há muito caminho ainda para se fazer, mas, convenhamos, muito já está construído, sobretudo se atentarmos que foi de muito longe que afinal viemos.

PS.: alguns ‘senadores’ da pátria, impolutos pensantes das coisas da massa, alguns herdeiros teóricos dos ‘grenspans’ das fortalezas financeiras mundiais que quase nos ‘mataram’ há uns meses atrás, ufanam-se para aí com receitas infalíveis para os nossos males financeiros. Escondidos na gramática das teorias económico-financeiras, que, por vezes, nem eles entendem, custa-lhes chamar pelo nome às coisas e falar objectivamente da ‘pílula’ que receitam para a doença, medrosos, claro está, que qualquer burro perceba que com a economia de garrote que defendem para os outros (claro que nos lautos proventos deles nem piam) não é difícil lograr resultados, mesmo correndo o risco de, como Pirro, não haver gente para gozar a abastança que, depois da matança, prometem. Vai sendo tempo dos medinas, salgueiros, belezas, amarais e mais que tais se apresentarem a votos sem máscara, nem tapados pelo ecrã, mas distribuindo, olhos nos olhos, ao povo o veneno com que, sabiamente, acham poderem matar todos os males, até o povo. Venham daí para o meio do povo! Não tenham medo! E já agora, tragam convosco os crespos que vos alimentam a sabedoria, que o povo irá gostar de os ver embrulhados na aventura.

2 Comentários leave one →
  1. 02/05/2010 00:37

    “paira na atmosfera política vilaverdense um cheiro a qualquer coisa de desagradável com a vida financeira da autarquia e da sua muito amada empresa municipal de eventos. Querem fazer o favor de nos contarem a verdade, toda a verdade e só a verdade sobre o que se passa?”

    MAS QUE GRANDE QUESTÃO PEDIDA POR FAVOR PARA SE FAZER…

  2. 02/05/2010 00:34

    Mas que grande artigo.
    Parabéns Dr. Alberto Nídio. Como Vilaverdense não perco uma unica NOTA SOLTA sua. É bom não ver reformado da política e o ver a estar na linha da frente com esta malta jovem liderada pelo Dr. Luís Filipe Silva, bem formada e cheia de energia a querer colocar este Concelho no bom caminho e no sitio onde ele deveria estar há muito tempo.

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