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Notas Soltas VIII

14/05/2010

Uma cá e outra lá…

Não me levarão a mal os que têm a pachorra de ler os escritos que por aqui vou deixando que desta vez não os reparta. Apetece-me falar da visita de Bento XVI a Portugal e o tema é abrangente.

Claro que não vou narrar a experiência que no dia de hoje vivi na invicta cidade do Porto, pois momentos como esses não são passíveis de tradução escrita. Mas, porém, a visita do Santo Padre, pela sua riqueza, tem muitas leituras e significados que, na hora do balanço, importa fazer e compreender em toda a sua dimensão. Por muito insignificantes que sejam, como, certamente, será o caso, valem sempre como exercício do direito de opinião que a todos está hoje conferido no nosso país e, juntas a outras, poderão contribuir com algum migalho para entender o que ficou dito ou se pode retirar desta grande jornada que milhões de portugueses partilharam em comunhão com o líder espiritual de mais de mil milhões de católicos – e só este número basta para explicar a urgência com que devemos procurar pesar tudo o que em sua volta gravita.

Antes de mais, uma palavra para a elegância do programa da visita e dos actos que lhe deram vida, prova de que Portugal perdeu muito do provincianismo com que, no passado, tratava estas coisas. O Papa, a quem são, também, devidas honras de chefe de estado, foi acolhido entre nós com nobreza, simpatia, um grande afecto e a fé dos muitíssimos portugueses que são crentes e, nesta dimensão, formam um lastro que se espalha por todos os quadrantes político-partidários, coisa que alguns politiqueiros da nossa praça tardam em entender, o que talvez explique as habituais bacoradas que por estas ocasiões as ‘personalidades’ do costume gostam de vociferar, com o conluio de uma comunicação social particularmente pactuante com esses cavaleiros da ortodoxia não religiosa ou mesmo anticatólica.

Mas, falemos de coisas sérias. Calou-me profundamente a autocrítica que o Santo Padre trouxe no seu discurso, logo que entrado no avião que o trazia até nós, plasmada na contundência com que proclamou a necessidade da igreja procurar dentro de si a cura para os males que a atormentam. A «maior perseguição à Igreja» não vem de «inimigos de fora, mas nasce do pecado da Igreja», disse-o com todo o desassombro saído de uma mente límpida, sábia e absolutamente livre.

Enfrentar a realidade, por muito dura que seja, engrandece, não menoriza, combate os cavaleiros do apocalipse, não lhes alimenta a sede de sangue.
Ainda era quinta-feira e já muitos jovens se espalhavam pela Avenida dos Aliados em ambiente festivo, numa presença que foi engrossando madrugada adentro e que, ao romper da aurora, se espalhava aos milhares por aquele vasto anfiteatro. Esses jovens, generosos como sempre, numa teimosa luta contra aqueles que, desgraçadamente, entendem que eles não querem nada com nada, também esperam que dessa igreja que se irá fortalecer pelas provações que por agora lhe marcam o quotidiano saía uma nova força que os ajude a trilhar os caminhos difíceis que o tempo de hoje lhes atravessa nos seus percursos de vida.

A política é outra coisa e cada um resolve na hora de votar.

2 Comentários leave one →
  1. 17/05/2010 14:13

    Eu acho que a visita do Papa foi um exagero e, como é costume, dominou em demasia a imprensa nacional.
    Não se falou noutra coisa senão na visita do Papa.
    Não é todos os dias que o papa vem a Portugal. Mas esquecer tudo o reso foi demais.
    Quando vier cá um qualquer outro líder esperitual quero ver a cobertura que vai ser dada!
    Eu sei que a religião católica é dominadora no nosso país, mas o respeito pelas outras religiões também se vê pela forma como dão cobertura a uns acontecimentos e a outros.
    De qualquer forma acho que a visita do Papa foi muito positiva para o país, para a igreja portuguesa, mundial e especialmente para o próprio Papa que viu a sua popularidade aumentada.
    Portugal é um país muito especial por causa de Fátima e pelo valor que estes dois últimos papas lhe atribuiram.
    Fiquei por isso contentemas termino voltando a dizer que tudo que é excesso acaba por perder valor.

  2. 16/05/2010 20:07

    A visita do papa a Portugal foi um assunto que marcou esta semana.
    Penso que a imagem fria que o papa tinha ficou um pouco melhorada com a simpatia que espalhou pelos locais que visitou. Mas foi apenas isso: uma pessoa como as outras simpática, como tinha de ser, cordial com quem o recebeu.
    Quem parece ter aproveitado a visita foi o Presidente Cavaco Silva que teve 3 dias de plena campanha eleitoral. O papa parecia o seu mandatário.
    Até usou os netos para esse fim. Que coisa extraordinária. Ficou todo emocionado por o papa saber repetir os nomes dos netos!!
    Até o José Socrates assistiu à missinha…não vá o diabo tece-las.
    Bem sei que sendo o papa um Chefe de Estado tinha de ser recebido pelos mais altos representas políticos do Estado português. Mas acho que foi de mais.
    A política e a religião devem saber medir as distâncias e cada um deve ocupar o seu lugar.
    Os “problemas” de Deus que sejam resolvidos por Deus e os problemas dos homens que sejam resolvidos pelos próprios homens.

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